Kavieng

Diário de Viagem
Abril 2017

Embarcámos no avião da Air Niugini, rumo a Kavieng. Depois de uma curta viagem de 30 minutos, chegámos ao destino e tínhamos como objetivos marcar os mergulhos para amanhã, sendo que é o único dia que temos para mergulhar aqui, descobrir um banco para amanhã destrocarmos euros por kinas, vermos onde ficava o mercado e restaurantes para jantarmos. Quase não temos kinas e esperávamos que desse para jantarmos.

Lá conseguimos ir até à escola de mergulho, marcamos os nossos mergulhos e ficamos a saber que mais uma vez íamos ser os únicos deste dive center a mergulhar amanhã. Aqui há 2 centros, um na cidade e outro na ilha de Lissenung, num resort caríssimo e que temos a certeza que não vale o valor que pedem pelos quartos.

Fomos jantar a um restaurante recomendado pela instrutora de mergulho e acabamos o nosso dia de aniversário a comer lagosta!

A casa que alugamos ao airbnb, é uma pequena cabana em madeira que tinha tudo para ser tão porreira, mas não é… com a fraca escolha de materiais, cores e acabamentos, acaba por parecer velha e suja. Claro está que andei à procura de bichos, já que tinha todo o aspeto de ser um antro bom para a sua criação em série. Mas estava enganada! Não vimos nem um!! A cabana está limpa e bugs free!

Foi bom acordar e poder preparar o nosso pequeno almoço como já é costume fazer em casa. Tínhamos pão de forma, manteiga, torradeira, compota, café (em pó), chá, açúcar e chaleira. Perfeito! Melhor só se houvesse leite para mim. Saímos da cabana de barriga cheia, para irmos ao banco trocar dinheiro e a seguir íamos mergulhar.

O guia lá nos fez o briefing habitual, explicando o que íamos ter oportunidade de ver (porque debaixo de água nada é certo) e arrancamos num barco banana para o primeiro spot, chamado “Blue Holes”. Só o nome já inspira confiança! Seria um “drift dive”, que significa que iríamos ter corrente e íamos deixar-nos levar pela mesma, sem termos de fazer grande esforço. E assim foi, quase sempre sem nadar, de pernas e braços cruzados, lá fomos nós avançando pela parede repleta de coral.

A primeira coisa que vimos foi um tubarão de pontas brancas que estava grávida. Era muito gorda e com o sol a bater-lhe nas costas parecia espelhado ou prateado. Num ambiente quase misterioso e sinistro, ia e vinha nas suas voltas da caçada e limpeza de guelras. Seguimos caminho e fomos vendo camarões tão pequenos que precisávamos da lente do guia para os vermos (eu nem sei como é que ele os encontrava!), caranguejos minúsculos que se escondiam por baixo das anémonas onde os nemos costumam estar (eu descobri um!), conchas com moluscos dentro, eu vi um Gobi (um peixe comprido que trabalha em conjunto com um camarão, ele toma conta fora da toca, na areia enquanto o camarão limpa a casa, trazendo cá para fora pedritas e lixo) e mais alguns tubarões. Consegui filmar um nemo a morder-me o nariz… mal posso esperar para vos mostrar!

Mas, para mim, o melhor deste mergulho eram os túneis, desfiladeiros, cavernas e grutas por onde o guia nos levava, onde víamos corais lindíssimos, cheios de cor, camarões, cardumes enormes de peixes escondidos debaixo de corais altíssimos e atuns a caça-los. Na gruta, virei-me de barriga para cima e ao soltar o ar, este ficava encurralado nas partes mais altas das irregularidades do coral, formando bolhas de ar e os peixes iam lá a pensar que era comida. Giríssimo!

Para mim, este mergulho foi o melhor de toda a PNG, o que me deixa mais contente por não ter embarcado no Barbarian!

O segundo mergulho também foi muito bom! Este foi um mergulho com mais corrente e aqui tínhamos de usar os nossos ganchos (que trouxemos de Palau) para nos prendermos ao coral e ficar quietos a ver toda a atividade a acontecer. Vimos tubarões a caçar, eagle-rays, tartarugas e barracudas. Tudo a caçar e a comer! Foi top!

Quando terminou, entramos no barco com um sorriso de orelha a orelha, felicíssimos!

Eles deixaram-nos numa ilha em frente à ilha principal onde existe um resort para nós almoçarmos e passarmos lá o dia a fazer snorkel. O problema é que não nos avisaram que tinham papagaios e catatuas falantes! Não fui fazer snorkel nenhum!!! Passei a tarde a falar com a Cookie, uma catatua branca com a crista amarela, que infelizmente está com as patitas paralisadas, mas não a impede de chamar a atenção de toda a gente que passa! Super simpática e bem disposta, dizia “Hello Cookie!” A todos, “you ok?” e “you all right?” e mais tarde explicaram-me que ela dançava se lhe disséssemos “Cookie dance! Cookie dance!” Então ela começa a abanar a cabeça para cima e para baixo, levanta a crista amarela e imita o “Cookie dance, Cookie dance!” na sua voz de papagaio! BRUTAL!

Eu comecei-me a rir e ela começou a imitar o meu riso, mas de uma forma tão perfeita que o Diogo já não sabia se era eu ou ela a rir! Nunca tinha visto um animal tão bem disposto como este!! Passei a tarde toda com a Cookie a fazer videos e fotos! Também andava lá um papagaio vermelho e azul super simpático que só queria subir para o meu ombro e morder-me os dedos ou as orelhas… um fofo!

Viemos embora da ilha tristes por termos de dizer adeus à Cookie e ao seu amigo papagaio. Mas talvez amanhã voltemos para mais “Cookie dance!”

Fomos ao supermercado e compramos pernas de galinha, caril e cogumelos para cozinharmos na nossa cabaninha do amor!

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