Galápagos

Diário de Viagem
Fevereiro 2014

Chegar às Galápagos é a concretização de uma mistura de sonho com curiosidade extrema. As Galápagos eram aquele destino que sempre nos aparece tão impossível de alcançar, tão longe e ao mesmo tempo muito estranho.

As nossas expectativas estavam altas, demasiado altas, confessamos. Estávamos à espera de praias de areia negra, de um ambiente desértico e o que encontramos estava um pouco fora da nossa imaginação. Encontramos praias de água azul turquesa, ilhas verdejantes, pássaros de patas azul forte, pinguins, focas, pelicanos, árvores que nunca tínhamos visto…

Debaixo de água o mundo é tão gratificante quanto fora dela. O Diogo queria mergulhar em Gordon’s Rock, o sítio mais famoso das Galápagos, para ver os tubarões martelo. Assim, fomos de barco até lá, combinando que eu não iria sequer entrar na água. O caminho durou cerca de 1h, tempo suficiente para eu enjoar.

Quando chegaram ao sítio, eu já nem me atrevia a mexer, achava que se me mexesse vomitava tudo o que tinha no estomago. O guia de mergulho aconselhou-me a entrar dentro de água, mas eu sabia que os tubarões martelo andavam debaixo do barco e disse “nem pensar”.

O enjoo ia piorando a olhos vistos e quando o Diogo entrou na água, eu já não aguentava mais. O capitão insistia para eu entrar dentro de água, mas eu estava reticente. Decidi então que se calhar era melhor descer as escadas pequenas do barco e deixar-me ficar ali agarrada só com metade do corpo metido na água e caso visse alguma coisa suspeita, subiria para o barco de imediato.

Então desci as escadas e entrei na água. Mas precisava de molhar a cabeça. Assim sendo, larguei a escada e meti a cabeça dentro de água.

Quando a tirei, vi que o barco se tinha afastado, deixando-me ali sozinha e isolada, por cima de um sem fim de tubarões martelo. Estaquei. Não era capaz de me mexer, mas isso só durou um minuto.

Comecei a abanar os braços no ar e a chamar o barco para me vir buscar. Não pareciam ouvir. Gritei mais alto e finalmente olharam na minha direção. Riam-se de mim, mas vieram buscar-me. Estava capaz de os estrangular. Que irresponsabilidade! Podia ter morrido!! Estava furiosa e sentei-me na parte da frente do barco a tremer de nervos.

Quando o Diogo saiu, vinha com um sorriso de orelha a orelha mas eu estava tão zangada que nem queria falar com ninguém.

Agora, passados sete anos, vejo que fui tão idiota e é a única coisa que me arrependo de não ter feito. Dava tudo para voltar atrás e fazer aquele mergulho que o Diogo conta como sendo das melhores coisas que fez na vida!

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