Torres del Paine

Novembro 2017

Hoje acordámos com o vento a bater na nossa casinha/cabana. Parecia que ia levantar voo! O vento em Punta Arenas é uma constante que não pára nem abranda! E são ventos fortes, não são brincadeira nenhuma… O taxista que nos levou do aeroporto para o Cierro las Piedras (o hotel) avisou-nos que tivéssemos cuidado ao conduzir porque por vezes vêm rajadas muito fortes que fazem o carro dançar na estrada. Também nos disse para abrandarmos sempre que nos cruzássemos com um autocarro ou camião, porque o vento com a deslocação de ar do autocarro ou camião, podia causar um acidente. Isto pôs-nos todos em estado de alerta mas agradecidos pelas dicas.

Tomámos o pequeno almoço, fizemos as malas e fomos para o aeroporto, à Europcar, buscar o nosso carro. Quando lá chegámos disseram-nos que tínhamos de ter avisado que íamos para a Argentina com 7 dias de antecedência, porque é preciso uma autorização especial e têm de ser carros diferentes e não os tinham disponíveis. Tínhamos reservado e pago tudo online e em lado nenhum mencionava esta autorização nem o carro diferente. Quando tentámos cancelar a reserva disseram-nos que não tinhamos accionado o seguro de cancelamento e que por isso não podiam fazer a devolução do dinheiro. Começámos a ficar nervosos e bastante irritados porque em nenhuma altura fomos avisados de nenhuma situação destas. Depois de 1h30, pedimos o livro de reclamações e disseram que não tinham, só tinham um caderno de sugestões. Já passados com os tipos, fomos chamar a polícia do aeroporto para reportar a situação.

Acabámos por alugar outro carro, desta vez na Avis, por um preço um pouco mais elevado e ficámos com o problema da Europcar por resolver e vamos enviar mail a reclamar. Pareceu-nos que fazem este tipo de tramóia para ficarem com o dinheiro e não alugam o carro. Vamos ver… Saímos do aeroporto meios chateados e aborrecidos com a situação, acompanhados por rajadas intensas de vento, que quase nos faziam voar. O assunto dentro do carro demorou mais algum tempo a passar, mas o vento e a neve lavaram a má disposição e começámos a tirar fotos e a fazer vídeos para mais tarde recordar estes momentos mais preciosos. Parámos numa vila mini para tomar o pequeno almoço e seguimos caminho.

Num trajecto ventoso, com rajadas de fazer abanar o carro, fomos fazendo o caminho até Puerto Natales. Duas horas depois já estávamos com o rabo sentado num restaurante meio chileno meio africano a comer um caril, um cheviche, um atum e um salmão acompanhado por arroz de passas e legumes salteados. O restaurante era muito bonito com uma decoração étnica com muito bom gosto. Tirei fotos a alguns pormenores para me inspirar nos meus projetos mais alternativos.

Fomos ao hotel pousar as malas e quando lá chegámos, até a alma se riu… o hotel é muito bom e cheio de pormenores com muito gosto. A minha onda totalmente. Casas em pinho com decoração vintage, com jarros antigos com flores, com gramofone e campaínhas antigas. Fotos, fotos e mais fotos! Quando entrámos no nosso quarto, foi o êxtase total!!! Tínhamos sauna dentro do quarto e a vista era de perder o fôlego. Com as montanhas carregadinhas de neve, imponentes, parecendo querer “comer” Puerto Natales, cheias de escarpas agressivas formando um ambiente dramático quase assustador.

Pousamos as malas e depois do David nos dar algumas indicações preciosas sobre o caminho, pusemo-nos a caminho de Torres del Paine. No caminho para lá vimos lamas, vicuñas, tatus, abutres e águias. Parávamos para tudo! A uma certa altura, a estrada encheu-se de lamas e como nao fugiam, saí do carro para tirar fotos. Consegui aproximar-me quase pé ante pé e cheguei a estar a 10 metros delas. Top!! Parecem uma mistura de camelos com cangurus. Quando vimos o tatu, estava ele de “saias levantadas”, com as patinhas de fora e a correr estrada fora para atravessar para o outro lado. Parou e quase posou para a foto! Parecia-nos impossível chegar às Torres del Paine de tantas vezes que parávamos para tirar fotos. Estávamos histéricos e excitados, como crianças num parque de diversões que querem ver e fazer tudo, super bem dispostos e com tudo a correr bem.

No primeiro ponto de observação da montanha, vimos uma montanha toda coberta de neve mas com os picos embrulhados em nuvens… havia um lago azul turquesa logo ali ao lado e as cores eram maravilhosas. Ao sair do carro estava tanto vento que eu, ao subir para cima de uma cerca mesmo ao lado do Diogo, ia caindo para trás, mas agarrei-me ao Diogo. Ia a voar até Torres del Paine!

Passámos por lagos e montanhas de várias cores e feitios até chegar à entrada do parque. Ali, perguntamos qual era o melhor sítio para vermos as torres e a senhora disse que havia 3 sítios, mas que naquele momento, não iamos conseguir ver nada porque estava tudo tapado pelas nuvens. Disse quais eram os sítios:

  • ali onde estávamos e apontou para um espaço entre dois picos gigantes onde estava uma nuvem provavelmente maior que Braga!
  • um local que só se chegava fazendo trekking durante 4h em cada sentido (nesta altura já eram 6h00 da tarde), num percurso muito acentuado e com neve e mesmo assim não garantia que se visse.
  • um local ao lado de um lago onde supostamente se via as torres de trás, mas que só se via sem nuvens…

Tristes, optamos por ir dar uma volta no sentido contrário aos outros spots onde se viam (porque não se ia ver nada) e ao voltar podia ser que houvesse sorte e as nuvens tivessem passado. A senhora do parque não nos cobrou nada alegando que não íamos ver nada. Agradecemos e lá fomos os 4 em busca da esperança! As paisagens eram lindas, com montanhas que pareciam as carapaças de tartaruga todas seguidas, encostas com uns tufos de arbustos redondinhos, colinas cheias de ora lamas, ora ovelhas ora vacas, lagos de vários tons e ao fundo, pos trás disto tudo, viam-se as grandes montanhas a ameaçar cair em cima de tudo. Íamos vendo pontos de observação onde muitos carros paravam para tirar fotos. Num deles estava tanta gente que quando olhámos para a montanha vimos 3 picos a erguerem-se da montanha. Eram os picos das Torres del Paine! Estávamos a conseguir vê-los! As nuvens tinham-se afastado deixando os picos à vista. “PÁRA O CARRO!” Fizemos sessão fotográfica até não haver mais ângulo ou pose a explorar. E sim, saltámos para a foto!

Continuámos a viagem e durante algum tempo os picos continuaram visíveis, e o gelo azul da neve contrastava com o azul dos lagos e o verde e castanho das montanhas. Chegámos a um ponto de observação onde estava tanto mas tanto vento que éramos levados por ele mas era o melhor sítio para tirar fotos. Mais tarde, no ponto chamado Salto grande, ainda conseguia ser possível estar mais vento e ainda por cima chovia… estava a ser difícil continuar e por isso demos meia volta e voltámos para trás.

No regresso, voltámos a tirar fotos aos picos, enquadrando-os com as montanhas verdejantes e os lagos. Mas foi quando chegámos à entrada do parque que descobrimos que os picos que tínhamos tirado foto não eram as Torres del Paine! Isto porque as verdadeiras apareceram em frente aos nossos olhos, exactamente no sítio onde a senhora tinha dito que elas estariam, e com uma imponência e tamanho fora do normal. Que parolos que nós somos! Tudo a tirar fotos aos outros picos, tirámos 500 fotos aos outros e chegámos aqui para ver as verdadeiras Torres! Foi uma risota só…

Agora com as verdadeiras, tirámos outras 500 fotos, voltámos a saltar e demos o dia pir terminado. Ainda ficámos parados a olhar para elas, a tentar absorver todos os detalhes, todas as escarpas, todos os pontos de neve e as áreas circundantes…. partimos com alguma tristeza e melancolia, já com saudade, a saber que nunca mais íamos voltar a ver isto.

No caminho de regresso, excitadíssimos com tudo e mais alguma coisa, fomos vendo as fotos uns dos outros, comentando e olhando pela janela do lado direito do carro para irmos vendo pela ultima vez as Torres que nos acompanharam ainda um bom pedaço, até serem escondidas por outras montanhas. Só dizíamos que se viam as Torres de muito longe e que mal sabíamos nós à chegada que do primeiro ponto já se viam tão bem! Dissemos adeus ao Paine para dizer olá a uma doninha fedorenta que quase se atirou para cima do carro! Assustada fugiu e parou do outro lado da estrada a mandar um vapor de cheiro horroroso enquanto nós lhe tirávamos fotos! O cheiro era pestilento e nenhum de nós conseguia descrevê-lo. Mas numa coisa estávamos todos de acordo… era um cheiro horrível!

Fizemos o caminho até ao hotel a rir e a dizer piadas. O grupo é muito porreiro e acho que estamos todos genuinamente muito contentes e satisfeitos de parte a parte. Estamos sempre bem dispostos, a brincar e a gozar uns com os outros, em sintonia e sempre com muito respeito e consideração. O Mário com as suas expressões brasileiras de partir a rir e a Sandra com o seu planeamento perfeito e com tudo muito bem delineado que tem sido a salvação do grupo inteiro, sempre com boa disposição e com um humor de chorar! É a combinação perfeita para viajar!

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