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Açores

Outubro 2020
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AÇORES, SÃO MIGUEL: DIÁRIO DE BORDO – DIA 1

São Miguel: o nosso primeiro despertar no barco foi como acordar para um sonho. Da nossa micro janela só se viam veleiros ancorados na marina da baía dos Anjos, envoltos no misticismo do nevoeiro. Depois de um bom pequeno almoço com direito a pão de massa sovada, ananás, manteiga, compotas, leite e café, saímos encaminhados para a praia dos mosteiros – objetivo – surfar!

A estrada até lá é muito linda, com hortênsias a ladear o caminho, com o mar como pano de fundo. O contraste entre o azul cobalto do mar e o verde forte da ilha, enche-nos os olhos e apetece fazer o caminho a pé. A praia dos mosteiros é um espanto!

Com areia negra, escarpas verticais de pedra e verde alternados, com ilhéus no meio do mar e a água a bater neles. O Diogo e o Nuno entraram na água a correr, ansiosos por apanhar umas ondas enquanto eu filma a tudo da areia. Com o sol a querer espreitar entre as nuvens, antevendo bom tempo, fiz vídeos dos rapazes a surfar.

Quando eles saíram da água, 1h30 depois, estávamos os 3 esfomeados! Fomos comer ao Américo de Barbosa umas lapas e Mexilhões na chapa e um polvo estufado, tudo à moda dos Açores. A seguir fomos visitar a Lagoa das 7 Cidades com as suas 2 cores bem marcadas. E seguimos para a Lagoa do Fogo que nos roubou o fôlego mal lhe pusemos os olhos em cima. Resguardada na boca de um antigo vulcão, está abraçada pela cratera verdejante. Daqui conseguimos ver a ilha toda com os seus vários picos e imaginamos como deveria ser quando estes vulcões ainda estavam activos há muitos séculos atrás. Devia ser uma vista incrível.

Ainda deu tempo para ir comer uma queijadas antes de devolver o carro à Ilha Verde em Ponta Delgada. À noite fomos jantar um atum na pedra, uma tábua de queijos e uma sopa de peixe servida no pão e ainda bebemos uma garrafa de vinho tinto no barco Azorean Dream, a nossa casa para as próximas 3 semanas… Vidas difíceis… Amanhã rumamos a Santa Maria.

Soltem as amarras!

AÇORES, SÃO MIGUEL – SANTA MARIA: DIÁRIO DE BORDO – DIA 2

A palavra do dia era excitação! Parecíamos putos, ansiosos pela hora de abrir as prendas no Natal. A ideia da travessia era um assunto constante nas nossas conversas e o dia previa-se longo mas cheio de aventuras! Saímos da marina às 10h30, deixando Ponta Delgada para trás.

Demorou até vermos a ilha difundir-se com o horizonte! Íamos a velejar a uma média de 6,1 nós e começamos a avistar Santa Maria ainda São Miguel estava grande na retaguarda. “Terra à vista!”, dissemos todos quando de repente vemos várias barbatanas dorsais pretas lá no horizonte! Corremos para a proa do Azorean Dream, com as máquinas todas a postos, com o barco a baloiçar, agarrados às cordas para ninguém ir à água e sentamo-nos no chão a apreciar a vista. Eram cerca de 6 cetáceos que navegavam calmamente, mas muito distantes de nós…

Num instante desapareceram e nós voltamos para a popa, agora de olhos postos na água… queríamos mais! Comemos um hamburguer no pão com tomate a meio da travessia e todos nós dormimos uma soneca durante a travessia mas o nosso skipper não vacilou.

Chegámos a Santa Maria às 19h30, perfazendo um total de 9h a velejar num mar calmo e tranquilo. Fomos jantar ao Central Pub, um restaurante tipicamente irlandês, onde ficamos a conhecer o Jorge Costa, um “senhôr” (ler com sotaque açoriano) que estava muito bêbedo e que não dizia coisa com coisa… foi um pagode! “Toda a gente chora por coisas que não deviam chorar e depois choram por coisas que não deviam chorar”, a célebre frase do Jorge. “Popopo, tuca tuca…” outra frase repetida ao longo de um discurso arrastado. “Já percebi que vocês estão a ignorar-me!” Não se aguentava!

Voltamos ao barco para irmos diretamente para a cama, sem passar pela casa de partida… velejar custa!

Soltem as amarras!

AÇORES, SANTA MARIA: DIÁRIO DE BORDO – DIA 3

As nossas expectativas para esta ilha foram completamente ultrapassadas! Santa Maria é maravilhosa! É a ilha mais quente dos Açores, é verdejante e plana do lado oeste e montanhosa do lado este. Hoje começamos o dia com a visita à Praia dos Anjos, para os rapazes fazerem um surf. A praia é rochosa e a areia foi substituída por pedras grandes pretas. Eles divertiram-se imenso!

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Mas foi uma surfada curta, porque às 14h já tínhamos de estar a fazer o teste covid e só tínhamos chegado à praia às 11h e lá fomos para o centro de saúde da Vila do Porto. O teste foi rapidamente feito e fomos almoçar à Travessa onde comemos uns hambúrgueres de carne maturada. Seguimos viagem para o lado este, onde a ilha está coberta de pinheiros e muito bem lavrada e decorada. Fomos à Cascata do Aveiro e ficámos maravilhados com a beleza desta costa e da cascata.

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Lançámos o drone para explorarmos a costa toda em socalcos e descobrimos uma segunda cascata por cima da outra. Linda!! O Farol da Maia está estrategicamente posicionado num pontão, bem lá no alto, a orientar quem se aproximasse. A cor da água foi outra grande surpresa!

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O azul cobalto do mar profundo passa a azul esmeralda (esta cor existe?) e bate nas escarpas com uma força surpreendente. Encaminhamo-nos para o Miradouro de São Lourenço para mais um “WOW!!”, dito em uníssono. Ainda paramos para conversar com uma senhora muito bem disposta que nos contou que já mora ali há 46 anos. Para terminar o dia fomos experimentar outro restaurante onde comemos uma alcatra estufada que se desfazia na boca.

Soltem as amarras!

AÇORES, SANTA MARIA: DIÁRIO DE BORDO – DIA 4

O dia de hoje começou com o mergulho na baixa do Ambrósio, um dos spots constados no top 10 dos Açores! Acordamos às 7h da manhã, tomamos um pequeno almoço super rápido e leve, para fazermos uma viagem atribulada de semi-rígido de 25 minutos para vermos mantas oceânicas, com água a 22°. Este sítio é no meio do oceano, com profundidade de 70m e só o facto de estarmos no “deep blue” já é bom por si só. Adoramos estes mergulhos que nos remetem para a sensação de estar no espaço. O guia fez-nos sinal para nós deixarmos ficar naquele nível de profundidade e desceu para chamar as mantas.

De repente, o guia começa a dar sinal sonoro para os vultos gigantes que calmamente subiam das profundezas e se aproximavam de nós. Eu, aos 26,4m de profundidade, consegui ver 7 mantas enormes mas o Diogo, nos 24m já só viu 2… Uma das mantas tinha uma rémura perto do olho e estava constantemente a tentar tirá-la dali. Como eu estava com frio, comecei a subir lentamente para me ir embora, até aos 5m para os 3min de descompressão e depois de eu sair, eles ainda viram 2 atuns yellow fin muito grandes. O spot Ambrósio é um dos melhores sítios dos Açores para se mergulhar e é o sítio perfeito para vermos estas mantas colossais! Nós tivemos algum azar com a visibilidade e como não havia corrente, não vimos os grandes peixes que costumam habitar este spot.

A viagem de volta foi atribulada, entre pancadas nas ondas e saltos no ar da crista da onda, a juntar ao facto de estarmos molhados e com frio. Quando chegámos fomos logo para um almoço rápido e os rapazes foram surfar. Eu deixei-me ficar pelo barco a trabalhar um pouco, a ouvir uma musiquinha enquanto bebericava num copo de rosé! Ainda deu tempo para ir ver a costa sul da ilha e fomos jantar à Travessa de novo para uns bifes de carne maturada, depois de entregar o carro à Ilha Verde. Amanhã voltamos a Ponta Delgada.

Soltem as amarras!

AÇORES, SANTA MARIA – SÃO MIGUEL: DIÁRIO DE BORDO – DIA 5

Qualquer mergulhador sabe que uma das melhores horas para mergulhar é logo mal o sol nasce. Esse era o nosso objectivo para o dia de hoje. Por isso, saímos às 2h30 da manhã da marina de Vila do Porto para começarmos a viagem para Dolarbarat e Ilhéu das Formigas. Num sono abanado pela ondulação do mar, a noite passou e o dia amanheceu num nascer do sol meio escondido pelas nuvens com toda a majestosidade de um nascer do sol no meio do oceano.

O azul cobalto era ainda mais intenso e escuro, pincelada pelo laranja do sol. Ao chegar a Dolarbarat, foi só o tempo de montar as botijas no bcd, vestir os fatos e entramos num novo mundo. Pedras basálticas cobertas de algas e esponjas do mar que fazem lembrar a Calçada do Gigante na Irlanda.

A visibilidade estava perfeita! As pedras estavam carregadinhas de nudibrancos (lesmas do mar que parecem centopeias), vimos uma moreia preta numa pequena gruta, imensos peixes escorpião, barracudas, um tubarão, lírios, peixes porco e foi um entusiasmo só! Andamos 45minutos entretidos com a vida Marinha e saímos da água com um sorriso de orelha a orelha! Nem frio tivemos!!

No Ilhéu das Formigas a excitação repetiu-se com outro tubarão, mais peixes porco, escorpião, barracudas, lírios e mais uma moreia preta escondida numa trincheira. Tínhamos o mar todo para nós! Nós dois sítios mergulhamos completamente sozinhos, tal como nós gostamos! Os peixes porco andavam nos dois mergulhos sempre atrás de nós. Se nós nadávamos um pouco mais rápido, ao olhar para trás, lá vinham eles a abanarem-se todos para ficarem perto das nossas cabeças, com o seu ar meio pateta, claramente a averiguar se nós tínhamos comida.

Abandonamos o Ilhéu das Formigas já à hora de almoço e iniciamos a jornada para São Miguel. Entre sonecas, uma série ou outra, música, histórias e gargalhadas lá nos íamos aproximando de Ponta Delgada, quando de repente o Nuno dá um salto e diz “GOLFINHOS! TANTOS!!!” Caramba… Tudo a pegar nas máquinas fotográficas, telemóveis, correr para a proa e começamos a fazer um vídeo em direto. Os golfinhos adoram competir com a velocidade do barco e facilmente ganham a corrida. Pareciam torpedos é não iam com a sua velocidade máxima. Rodopiavam, saltavam, iam mais abaixo, mais para os lados… Um show! Ainda ficaram nisto cerca de 5 minutos. Estávamos rodeados deles, ao ponto de eu nem saber para onde devia apontar a câmara… Fixei-me nos dá proa e segui esses, mas atrás de nós é dos lados estavam muitos mais a saltar com bebés a imitar a mãe. Foi um pôr do sol fantástico para terminar um dia em grande! Chegamos mesmo na horinha de ir jantar um gigante bife típico de São Miguel que estava tão bom quanto grande, que nos empantorrou ao ponto de sairmos todos a rebolar. Foi xixi-cama sem passar pela casa de partida, terminando um dia perfeito, tal como nós gostamos.

Soltem as amarras!

AÇORES, SÃO MIGUEL: DIÁRIO DE BORDO – DIA 6

Se o dia 5 foi perfeito, não há palavras para descrever o dia 6! O dia arrancou com uma manhã de praia e surf na Santa Bárbara, com umas ondas bem grandes. Os rapazes saíram da água bastante satisfeitos, depois de 1h30 de surf. A Best Spot Azores convidou-nos para passarmos a tarde com eles para irmos mergulhar a D. João de Castro, outro spot que entra no top 10 do arquipélago. Aceitamos sem hesitar, gratos pela simpatia do convite.

Depois de comermos uma sande de atum, fomos ter com eles. Metemos todo o equipamento no barco semi rígido deles, que era tão grande que até casa de banho e chuveiro tinha, e começamos a viagem. Deixando Ponta Delgada para trás, a uma velocidade de 30 nós à hora, estava previsto chegar a D. João de Castro em 2h10, que está a meio caminho numa viagem entre São Miguel e a Terceira.

O barco era muito confortável e o mar estava glass (espelhado), sem ondulação. Perfeito. Ao longe começamos a ver água com ondulação e espuma e reparamos que eram 2 cachalotes! Tentamos aproximar-nos mas eles eram tímidos e acabaram por desaparecer. Vimos 1 tartaruga pequena e mais à frente outra com uma ave na carapaça. Deixou-nos chegar bem perto e deu para ver bastante bem. Lindo! Quando chegamos a D. João de Castro, já estávamos de barriga cheia e já o dia estava mais que perfeito! Entramos na água, super curiosos para ver o que este spot nos ia dar de presente. Com vários pináculos, a vida marinha era abundante.

Entre os dois mergulhos que fizemos vimos um cardume de barracudas, várias moreias, víboras, peixes escorpião (que por esse mundo fora são tão raros e aqui vivem em tanta abundância que os locais já nem lhes ligam), lírios e um mero muito grande, entre desfiladeiros, canyons e paredes verticais que descem até às profundezas. Dentro de água vimos medusas electrificada lindas! Foi perfeito! Neste momento contamos com 5 mergulhos nos Açores e estamos estasiados com isto!

Na viagem de regresso, uma família de golfinhos presentearam-nos com um show de dança aquática e vimos um dos mais bonitos pores de sol, com a água a ficar laranja, rosa e esverdeada e mal a noite caiu, começamos a ver a bioluminiscência da água. Era tão forte, com a velocidade do barco, que parecia que tínhamos um foco de um campo de futebol por baixo do barco, deixando um rasto de luz. O dia terminou iluminado e nós só temos a agradecer o convite que a Best Spot nos fez.

Este passeio foi exclusivo para o staff, amigos e nós os dois. Sentimo-nos privilegiados por nós acolherem tão bem como amigos! A bordo ia um fotógrafo galardoado, um bird watcher holandês, que mora nos Açores há 30 anos, que conseguiu ver uma espécie rara (que nidifica em Cuba e Trindade e Tobago) e ficou extasiado. O staff era incrível, partilharam connosco as comidas e bebidas deles, ajudavam a montar e a vestir o equipamento… Proporcionaram-nos um dia maravilhoso que não vamos esquecer e que vai preencher as nossas conversas com amigos por muito tempo. Muito obrigada Best Spot Azores!!

Soltem as amarras!

AÇORES, SÃO MIGUEL – TERCEIRA: DIÁRIO DE BORDO – DIA 7

Depois de um dia tão bem passado com a Best Spot AZores acordamos com um sorriso nos lábios e foi tema de conversa durante umas boas horas. Deixamos São Miguel para trás logo a seguir ao jantar e quando acordamos já tínhamos feito mais de metade do percurso, faltando só 4h para chegar à Terceira. A ilha já estava bem presente no nosso horizonte, que fazia crer que íamos chegar bem mais rápido do que o tempo previsto. Durante as 4h vamos vendo a ilha a aproximar-se lentamente. Quando estávamos mesmo a chegar, dezenas de golfinhos começam a já comum corrida com o barco, dando saltos altos com golfinhos bebés. Eram tantos que nem sabíamos onde filmar. Íamos dando voltas e voltas, acompanhando a dança deles. Quando se cansaram, desapareceram no escuro do mar.

Chegamos à Terceira bem na hora de almoço e fomos à Tasca das Tias em Angra e comemos mesmo muito bem. As amêijoas aqui são gordas, grandes e suculentas e feitas à bolhão pato, estavam de babar! Foi só molhar o pãozinho neste molho maravilhoso para abrir o apetite para a carne grelhada que comemos. Eu comi filet mignon e o Diogo alcatra, tudo acompanhado de batata frita salteada em manteiga, salsa e alho. Mais uma vez, saímos à rebolar!! Vamos voltar ao continente umas pequenas baleias. Depois de irmos buscar o carro à Ilha Verde, fomos tentar ver os melhores sítios para surfar. Levamos o Nuno aos Biscoitos e à Ponta do Queimado e fomos jantar com o nosso amigo Zé Paulo (que mora aqui na Terceira e que estudou em Vila Real com o Diogo) ao restaurante Beira Mar em São Mateus. Eu provei lapas pela primeira vez e fiquei rendida ao sabor a mar destes bichinhos. Numa mistura entre o sabor dos percebes e a textura e cor de lavagante, passam a ser facilmente o meu marisco preferido. Comemos lulas grelhadas e lapas e mais uma vez, saímos à rebolar… Ao ponto de até termos pesadelos durante a noite.

Soltem as amarras!

AÇORES, TERCEIRA: DIÁRIO DE BORDO – DIA 8

Hoje o dia previa-se fraco e sem muito para fazer. O tempo estava chuvoso, o céu embrulhado, era domingo estando muita coisa fechada, e o surf não estava favorável. Então decidimos ir dar a volta à ilha. Pegamos no carro e fomos à Baía das Contendas, passando por Porto Judeu (que num dia de sol, teria uma vista fantástica sobre o Ilhéu das Cabras). Os rapazes queriam descobrir um sítio para surfar, mas ali não ia dar. Seguimos para a Piscina Natural de São Sebastião, onde voltamos a parar. Mas o tempo estava cada vez pior e fomos corridos da piscina por uma chuvada que nos deixou a pingar. Decidimos ir até à Praia da Vitória e ali parecia estar a dar umas ondinhas. Então fomos fazer uma surpresa a um amigo nosso, o Newton, desviá-lo para um almocinho tranquilo e depois os rapazes iam surfar. Enquanto não chegava a hora de almoço, fomos ver as furnas da Terceira. Estivemos sozinhos o percurso todo. O sítio é muito lindo. A beleza das plantas aqui é maravilhosa e a quantidade de espécies diferentes de plantas, era incrível. Percorremos o passadiço e com algumas ameaças de escorregar e cair, entre caminhos de madeira, lama e pedras, rimo-nos imenso e foi super divertido! Antes de almoço fui fazer o meu segundo teste covid e fomos ter com o Newton à Taberna do Roberto. O senhor que nos recebeu era super simpático e divertido, como todos os açorianos que conhecemos, e mais uma vez, comemos demais. Eu vim para o barco recarregar baterias (que acabou por se transformar numa sessão de 3h de trabalho) e os rapazes lá foram surfar para a Praia da Vitória. Fomos jantar à casa do Zé Paulo, onde nos deram ainda mais comida, que estava deliciosa, bebemos vinho e provamos os licores, bagaços e água ardente caseiras que nos aqueceu a conversa de memórias perdidas em 2000 e troca o passo e deu origem a várias gargalhadas. Amanhã rumamos à Graciosa.

Soltem as amarras!

AÇORES, TERCEIRA – GRACIOSA: DIÁRIO DE BORDO – DIA 9

Acordamos bem cedo e depois de atestarmos o barco com gasóleo, partimos da marina de Angra do Heroismo. O vento estava de feição mas a ondulação à saída do porto ainda era significativa. Aprendemos que a ondulação diminui quando o mar atinge maior profundidade e por esse motivo, navegamos inicialmente quase a 90 graus em relação ao nosso destino. Quando viramos o barco em direcção à Graciosa, as ondas de 3/4 metros empurravam o barco na direcção certa e o vento de sudoeste permitiu içar as velas e atingir uma velocidade ótima de 7 nós (14km/h) que, num veleiro e com esta ondulação é ótimo!

Pelo caminho vimos mais algumas espécies de golfinhos que surfavam as ondas e apareciam em grandes grupos para nos cumprimentar. O veleiro oscilou imenso, bem mais do que até então, mas felizmente ninguém enjoou, sobretudo a Filipa, que fez batota com 2 comprimidos. 8h depois, chegámos a Vila da Praia na Graciosa. Foi permitido ao skipper atracar o barco num lugar de um pescador amigo mas contra o cimento.

A entrada na marina é um desafio enorme com esta ondulação e o skipper estava super nervoso. Com a minha ajuda e do Nuno, colocamos as defesas e as cordas do barco e com uma manobra bem feita, entramos na estreitíssima entrada. O problema é que facilita ter ajuda em terra para agarrar as cordas e a plataforma de cimento estava bem acima e era difícil de alcançar.

Alguns pescadores locais, incluindo o Sr.Belchior (foto de capa) e algumas mulheres, acudiram-nos e permitiram que atracassemos o barco em segurança. A solideriade açoreana no seu melhor. Cansados da viagem, fomos jantar num aconchegante restaurante local e descontrair com mais uma, 25ª, garrafa de vinho (desde o início da viagem). Estamos com uma boa média!

Soltem as amarras!

AÇORES, GRACIOSA: DIÁRIO DE BORDO – DIA 10

O nome Graciosa não podia ter sido melhor escolhido… Esta ilha é surpreendente, encantadora e amorosa. Mal acordamos, fomos tomar o pequeno almoço e arrancamos com o carro para explorar os recantos desta pérola no meio do oceano. Os moinhos de telhados vermelhos, pontuam a paisagem dando-lhe um ar pitoresco com os grandes pastos verdes bem parcelados por muros de pedra cinzenta, povoados por vacas e bezerros e aqui e acolá cavalos simpáticos que vêm ter connosco a pedir mimo. As eólicas dão um carácter dramático à paisagem, no topo na cratera verdejante do vulcão extinto que contrasta num equilíbrio perfeito com o azul cobalto do Atlântico.

De qualquer ponto da ilha, a paisagem rouba as atenções e obriga-nos a parar o carro quase de km a km para tentarmos, sem sucesso, captar a beleza do que vemos. Olhamos para o ecrã da máquina ou do telemóvel e damos por nós a querer trazer-vos aqui para poderem ver o que nós estamos a ver. Deixamo-nos vaguear, sentados num muro qualquer, a olhar para o horizonte, enquanto o som das ondas ecoa pelos nossos pensamentos, a inspirar este ar que nos enche os pulmões de natureza e a alma de vida. Se fecharmos os olhos quase que conseguimos palpar a leveza do ar. Borboletas amarelas que aparecem para nos cumprimentar, passarinhos que vêm ver o que estamos a fazer, peixes nas piscinas naturais que não fogem quando tocamos na água… Quase me sinto como a Branca de Neve em sintonia com a natureza e chego até a esticar a mão para uma borboleta pousar nela.

Quando chegamos ao Farol da Ponta da Barca, ficamos extasiados com a beleza não só do próprio Farol (nós somos apaixonados por faróis), como também da paisagem à sua volta. A cor da água parece implorar-nos para entrarmos e quase a ouço a chamar o meu nome. Estas águas devem estar cheias de vida por descobrir. Ficamos em pulgas! A paragem seguinte foi nos Posseirões, umas piscinas naturais cuja água é tão transparente que quase parece estar vazio. Tanto no Farol como aqui não resistimos em levantar o drone e demos o nosso melhor para vos mostrar a beleza de tudo isto. É claro que os rapazes não resistiram e ainda encontraram um spot para surfar. Subimos a montanha para visitarmos as furnas da Graciosa e ficamos espantados na transformação que a paisagem sofreu no momento em que atravessamos um túnel para entrarmos dentro da cratera. Num clima tropical, num chilrear intenso de pássaros e envolvidos por um ar húmido descemos até ao primeiro patamar para as furnas, mas estava fechado. Voltamos para o porto para abandonarmos contrariados esta ilha linda! Só conseguimos ficar aqui nem 24h,mas vem aí um temporal grande e temos de estar no porto seguro de São Jorge ou Pico.

Soltem as amarras!

AÇORES, FAJÃ DA CALDEIRA DE SANTO CRISTO: DIÁRIO DE BORDO – DIA 11 E 12

Os dias 11 e 12 foram passados nesta Fajã que tem tanto de lindo como de natureza! A viagem das Velas, onde deixamos o barco, até ao lado norte, onde deixamos o carro FAZ-SE em cerca de 25 minutos, após a qual fizemos o estreito caminho até à Fajã de moto-quatro. Atenção… Quando dizemos estreito caminho, queremos dizer que, nalguns momentos, tivemos de encolher as pernas para dentro para não rasparmos nos cactos que habitam a zona.

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Noutras partes, sobram cerca de 30cm do lado da água e outros 30cm do lado da escarpa coberta de vegetação. Vêem-se passarinhos de peito amarelo limão, apanhamos pés de cactos para levar para casa, coelhos selvagens a atravessar o caminho, assim como um esporádico ratito. Vemos flores amarelas, lilás, vermelhas, hortênsias (já um pouco secas pela chegada do Outono), e do lado esquerdo este mar imenso. Ao fundo vemos a “nossa” Graciosa, a preferida até agora e mais à frente, a Terceira. As Fajas de São Miguel, parecem um pequeno tesouro guardado, escondido pelas falésias verdejantes, onde de vez em quando se vêem cascatas.

São terras muito pequenas e nesta não podemos contar com rede, net e nem eletricidade para carregar telefones, máquinas ou computadores. Somos nós e a natureza, na sua mais pura condição. Chegamos à casa onde vamos passar a noite e dão-nos o melhor quarto com terraço de frente para o mar (quarto em madeira, com uma cama de casal). É claro que os rapazes foram imediatamente surfar e eu descobri numa estante da casa um livro que já queria ler há muito tempo: Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago. Aliás, era um livro que queria ter trazido nesta viagem mas não tive tempo de o ir buscar. Peguei nele, sentei-me numa das cadeiras confortáveis com vista para o mar e comecei a ler. Em menos de 24h li 209 páginas! O livro é viciante e o José Saramago é um génio. Quando eles chegaram do surf, vinham mais extasiados que duas crianças que acabaram de descobrir o chocolate. Tinham feito grandes ondas e o Diogo tinha aprendido imensa coisa. Foi secar, conversar um pouco e a hora de jantar chegou num ápice! Comemos super bem na casa do David, tanto o jantar, como o pequeno almoço e o almoço do dia seguinte! Fomos muito bem recebidos e no dia seguinte, repetiu-se o surf, relaxam os frente ao mar, comemos e conversamos muito! Foram dois dias excelentes para repôr energias e dormir bastante em terra firme.

Soltem as amarras!

AÇORES, SÃO JORGE: DIÁRIO DE BORDO – DIA 13

Hoje foi dia de explorar o resto da ilha, aka o dia das Fajãs… Começamos com um bom pequeno almoço e dirigimos até ao extremo este para depois começarmos o caminho lento para oeste, visitando aquilo que mais nos atraía. A este vimos ao longe a Terceira e o ilhéu do Topo com vacas a pastar e, ao nosso lado, o Farol do Topo patrulha o mar. Descemos até à Fajã de São João e fomos presenteados com o arco íris mais forte que alguma vez vimos e viemos a reparar que afinal eram dois, um em cima do outro, tornando a vista ainda mais mágica. A chuva miúda fez-nos companhia quase o dia todo, assim como o sol que ia espreitando como se estivesse a controlar o que estávamos a fazer. A Fajã seguinte foi a dos Vimes e aqui visitamos o Café Nunes, onde o Diogo bebeu um dos melhores cafés de sempre e eu comi a melhor queijada de sempre! Confesso que estava um pouco desconfiada por serem queijadas de inhame, mas mal a trinquei e a senti molhada, doce, cremosa, fofa e a saber a ovos moles com canela, morri! Comi logo outra e eu nem gosto de canela! As duas senhoras proprietárias, muito simpáticas e risonha, a Carminda e a Alzira, contaram-nos a história daquele café e mostraram-nos o cafezal e os grãos de café. Aqui produzem cerca de 400 a 500kgs de café seco, para além de inhames, figos, bananas e alguns outros alimentos em menor escala e para consumo interno. Ainda deu tempo para nos mostrarem a sala onde fazem tecelagem. Recomendamos uma visita aqui para se abastecerem de café e queijadas! Fomos almoçar à Fajã do Ouvidor, na costa norte, e aí lançámos o drone para vermos de cima a piscina natural Simão Dias. Ficamos colados ao ecrã com o recorte marcado da costa, a beleza das cascatas e a densidade da vegetação. Voltamos para a costa sul e fomos visitar a igreja de São Mateus, parcialmente destruída pelo vulcão em 1808, a vila Urzelina e por último a Fajã das Almas. Há alguma similaridade com a Madeira, ouvimos dizer e já estamos a pensar quando poderemos lá ir.

Soltem as amarras!

AÇORES, SÃO JORGE: DIÁRIO DE BORDO – DIA 14

O tempo está a começar a mudar, temos o novembro à perna e o frio começa a apertar. As noites estão mais frias, o vento aumentou e esfriou e durante o dia chove mais que o normal. De manhã fomos ver como estava o surf na Fajã dos Vimes. Com um olho nas ondas e outro nas queijadas do Café Nunes, quer dizer os meus dois olhos nas queijadas e os dois do Diogo no surf, fomos recambiados para trás por falta de ondas. Eu dormi o caminho todo, graças à potência dos comprimidos para o enjoo e só acordei quando já estávamos a passar de novo por Velas, a caminho do extremo oeste. Aqui descobrimos o Parque Florestal das 7 Fontes, o Miradouro do Pico da Velha, o Farol dos Rosais e a Vigia da Baleia.

Começamos com o Miradouro e tivemos pena que o Pico não desse ar da sua graça, porque a vista era muito bonita. Via-se (e ouviam-se) as vacas ao longe, cheirava-se as flores agrestes e este mar cobalto… o Atlântico! Descemos para o Farol dos Rosais que mais parecia um cenário do Walking Dead, com sinais a dizer “PERIGO” e vedado à circulação. Tudo abandonado e grafitado, aqui respira-se tensão. Mas se pudéssemos entrar tínhamos feito grande sessão fotográfica. Em vez disso, entrou o drone! Esse grande braço elástico invisível que compensa pernas preguiçosas e quebra regras impostas, indo onde fisicamente não somos capazes. Subimos o pequeno mas acentuado percurso até à Vigia da Baleia e com as pernas já bambas, lemos a história do homem que ali trabalhava e que enviava sinais disfarçados sobre as baleias que ia vendo. Lançámos o drone de novo no entanto o vento obrigou-o a pousar, mas tivemos um tempinho para conseguir filmar uns planos porreiros. Descemos corridos pelo vento gelado e cortante até ao Parque das 7 Fontes e ficamos fascinados com a beleza deste sítio! De repente somos transportados para outros tempos, outros locais que bem podiam ser tirados de um livro do J. R. R. Tolkien e conseguimos imaginar o Frodo Baggins ou alguns elfos a passear por estes trilhos. O musgo que cobre o chão é macio e fofo, os patos vêm ter connosco à procura de comida, habituados a serem alimentados, nascem cogumelos nos troncos, as flores rasteiras lilases povoam os cantos, os liquens conquistam o seu espaço nas árvores e o riacho torneia-se por onde pode.

Facilmente veríamos fadas a voar por aqui se ficássemos quietos durante algum tempo. Parece um cenário ou tirado de um filme ou até mesmo um render de tão perfeito e místico. Gravamos sons de mochos que pairavam por ali, grilos, pássaros, a água que corre lentamente e o vento forte que trouxe a chuva e nós correu de lá de volta para o barco, onde almoçamos e passamos a tarde, uns a dormir (Diogo) e outros a trabalhar (Filipa). Amanhã partimos para o Faial, deixando para trás as Fajãs, o verde de mãos dadas com o cobalto, as cascatas e as árvores de cactos que só tínhamos visto nas Galápagos. Vamos ver o que o Faial nos reserva…

Soltem as amarras!

AÇORES, SÃO JORGE – FAIAL: DIÁRIO DE BORDO – DIA 15

O dia começou com a saída de São Jorge em direcção ao Faial. O nosso veleiro está a ser a casa perfeita para esta viagem e nós estamos a adorar estar aqui. O Azorean Dream está a sair melhor do que a encomenda! O Ricardo, o dono do veleiro, veio connosco até ao Faial e velejou como um pro! Chegamos a fazer 8 nós só com vela e em 3h já estávamos a chegar à marina mais famosa do Atlântico. Todos os barcos que cruzam o oceano, vindos da América, passam por aqui e a marina está cheia. Esta marina é uma das mais bonitas que eu já vi.

Toda decorada com pinturas de barcos que por aqui passaram, é super colorida e cheia de glamour! Entre o Pico e o Peter’s Café, estacionamos o nosso barco e fomos todos almoçar. Como o céu estava limpo, vimos que era uma rara oportunidade para subir à caldeira e tínhamos razão. Apesar do vento frio, a vista estava óptima! No caminho até à Praia do Norte, abateu-se um sono daqueles pesados ao Diogo e paramos o carro no meio de uma floresta. Eu saí do carro e, enquanto ele fazia o seu sono reparador de beleza, fui fazer uma sessão fotográfica de mais uma floresta encantada. Estas florestas dos Açores parecem saídas de um conto de fadas e só faltou mesmo começar a ver duendes nestes caminhos de musgo fértil. Descemos até à Praia do Norte, uma praia linda de areia castanha escura, com falésias imponentes e verdejantes atrás.

As ondas estavam demasiado grandes e seguimos para o Farol e Vulcão dos Capelinhos. Aterramos numa paisagem lunar preta, já com projetos arquitectónicos e paisagistas de percursos para chegar ao Farol, que está apoiado numa estrutura de betão armado. A vista é hipnotizante! Ficávamos aqui horas se nos deixassem, só a apreciar a vista do mar a bater nas rochas, a areia preta que desce repentinamente para o mar, os arcos criados pela última explosão do vulcão e o Farol de betão que se ergue desta areia negra, vigilante e atento às nossas macacadas. O sol estava a pôr-se e nós maravilhados com tanta beleza natural.

Ficamos a saber que com a explosão, a ilha cresceu 2km2. Fantástico, não é? Entretanto já vimos um vídeo da explosão e foi super violento! Deixamos os Capelinhos para irmos jantar ao Peter’s, o café mais emblemático do Faial (e até dos Açores), decorados com bandeiras de todo o mundo. Aqui é tradição beber um Gin e nós gostamos destas tradições! Bebemos um gin do mar (o Diogo bebeu 2…) e comemos um bife suculento, tenro e super saboroso com puré de batata doce maravilhoso! O dia terminou com uma queijada de inhame do Café Nunes já no barco! Amanhã é dia de surf, capelinhos com drone e explorar a costa do Faial. Mandem bom tempo para nós, que bem precisamos.

Soltem as amarras!

AÇORES, FAIAL: DIÁRIO DE BORDO – DIA 16 e 17

O dia 16 foi dia de explorar a ilha, mas a prioridade era surfar. Fomos primeiro à praia de Almoxarife, depois do pequeno almoço, para ver como estavam as ondas, mas o Diogo anda sem sorte. Desde que o Nuno voltou para casa que as ondas fugiram e não tem dado nada. Então decidimos ir ao vulcão dos Capelinhos, aproveitando a boa luz da manhã, para lançar o drone. Este sítio é surreal. A pureza do farol contrasta na perfeição com a intensidade da areia escura, com os seus declives acentuados onde nada nasce. A cor da areia com o betão, o verde das colinas traseiras e o azul intenso do mar hipnotiza. La captamos as fotos e vídeos que queríamos e continuamos a volta à ilha. Fomos parando, aqui e acolá, num esporádico moinho, num miradouro com vista para as outras ilhas, para termos conversas com as vacas que por aqui pastam e num ou outro local onde sentimos que é especial.

Foi o caso da igreja da Ribeirinha, que foi destruída pelo terramoto de 1998. Há algo de dramático nestas construções danificadas… as rachadelas parecem contar uma história, as paredes meias rebocadas escondem segredos de quem já lá viveu ou passou e se conseguirmos imaginar, quase vemos as pessoas a entrar na igreja com o altar ao fundo e os claustros na lateral. Agora vive aqui o vazio mas um vazio misterioso ao lado de ervas daninhas, arbustos e animais selvagens que se vão ocupando aos poucos do território. Mais à frente, encontramos o Farol da Ribeirinha, também ele destruído pelo mesmo terramoto. Este terramoto ocorreu às 5h19 da manhã e matou 9 pessoas e feriu uma centena. Bem resguardado com fitas a vedar a passagem por falta de segurança, não pudemos entrar, mas ainda deu para documentar.

Voltamos para a Horta, para mais um gin no Peter’s Café e um jantar no restaurante Genuíno, cujo dono com o mesmo nome, já fez duas voltas ao mundo a velejar sozinho. Claro está que enchemos o senhor de perguntas e trocamos muitas histórias. Foi um prazer ir à este restaurante tanto pela conversa amena como pela comida. Eu comi polvo à lagareiro e o Diogo um bife de atum selado. Ambos estavam de babar! O dia 17 foi passado a tratar de afazeres, como enviar as garrafas e equipamento de mergulho de volta para São Miguel para a @bestspotazores, entregar o carro na @ilhaverde, marcar os voos que estavam em falta, o hotel o Pico e fazer as malas para irmos para as Flores. Fomos almoçar ao Cantina da Praça e comemos muito bem de novo. Os Açores primam pelo atum, polvo e pelos bifes de lombo! Amanhã vamos para o Faial dois dias e a seguir voamos para as Flores.

Soltem as amarras!

AÇORES, PICO: DIÁRIO DE BORDO – DIA 18

O nosso dia madrugou para apanharmos o barco interilhas para a ilha do Pico. Fizemos os 2km até ao terminal ainda de noite, com a mochila às costas e a prancha ao ombro. De repente começamos a ver o chão molhado, o Diogo olha para o outro passeio e estava seco. “Fi, passa para o outro lado, RÁPIDO!” “O que se passa?” “Vamos levar com a onda! Foge!” Caneco… Pernas para que te quero!!! Mal passamos para o outro lado, a onda bate no pontão e uma chuvada de água salgada, molha a área toda onde nós íamos passar! Foi por um triz que levávamos um banho de mar! Chegámos secos ao terminal, compramos os bilhetes de ida e uns minutos depois embarcamos.

A viagem foi curta, mas ainda deu para uma soneca entre balanços. Quando chegamos, chovia a potes na Madalena e estava uma ventania tal, que o Diogo quase caiu pelas escadas abaixo, levado pela prancha, tipo windsurf. Eu agarrei a prancha com a única mão solta e amparei a queda. Fomos tomar o pequeno almoço enquanto esperávamos que a chuva passasse e fomos buscar o carro à@ilhaverderentacar. Começamos a explorar o lado sul da ilha, com as suas vinhas de reserva natural posicionadas entre a Atlântico e o Pico. Que vista incrível! O mar a sul estava piscina e o Pico ia espreitando entre as nuvens que teimavam em rodeá-lo. Pareceu-nos que a costa sul é mais solarenga, mas disseram-nos mais tarde que é um pouco aleatório. A paisagem é muito bonita, com rochas escuras, casas de pedra preta com janelas coloridas e vegetação abundante, como os Açores já nos habituou. Mas o Pico é uma presença majestosa e os nossos olhos estão quase sempre postos nele. É um cone perfeito e faz lembrar o Monte Fuji no Japão e no inverno também fica coberto de neve. Vamos vendo, de vez em quando, o Piquinho que parece estar a jogar às escondidas connosco.

Chegamos às Lajes do Pico e vimos uma vila muito amorosa e catita. As casas são tradicionais, charmosas com portadas ora azuis ora vermelhas que dão vida à ilha quase deserta. Coisas do covid, parece-nos. Passamos ali algum tempo a olhar para o Pico e a fazer filmagens e a tirar fotos a tudo. A vila é mesmo bonita. Seguindo caminho para a Ponta da Ilha (sim, é mesmo esse o nome da vila na “ponta da ilha” a este), fomos parando sempre que a vista interessava, em miradouros, nos moinhos, etc. Na Ponta da Ilha, fomos ver o Farol e daqui já conseguimos ver São Jorge. O mar a norte não está famoso e parece que nem no Pico o Diogo vai ter sorte… Continuamos para Santo Amaro, São Roque e Lagido, onde tivemos de fotografar a força do mar contra as rochas. Era cada explosão de água, quando a água batia nas rochas, que subia pelo ar, muito acima das pedras. Aliás, vimos explosões de água com água, quando o mar faz backwash. É claro que a seguir ficávamos todos molhados pela chuvada salgada que o vento atirava na nossa direcção… Ainda deu tempo para uma visita à Madalena, mas estava quase tudo fechado. Decidimos ir fazer a estrada longitudinal, que é a estrada que atravessa o centro da ilha, mesmo abaixo do Pico, da ponta oeste quase até este. O problema é que estava super encoberto por nuvens e Pico nem vê-lo… Voltamos às Lajes e jantamos e dormimos no espaço Talassa onde passamos uma noite sem baloiçar e sem barulhos do barco.

Soltem as amarras!

AÇORES, PICO E O TUBARÃO BALEIA: DIÁRIO DE BORDO – DIA 19

Quando acordamos, mal sabíamos nós a grande surpresa que o dia nos reservava. Acordámos de frente para um Pico grandioso e descoberto, orgulhoso pelo novo dia. Tomamos o pequeno almoço e abandonamos o hotel. Como o sol estava mais atrevido decidimos ir fazer de novo a estrada longitudinal, encaminhando-nos para a costa Norte, à procura de surf. À medida que nos íamos aproximando, o sol parecia cada vez mais exbicionista. Mas de repente, recebemos uma chamada que alterou por completo os nossos planos. Era do Norberto a perguntar se queríamos ir com eles fazer snorkel com a possibilidade de nadarmos com tubarões baleia que tinham sido vistos por ali. É CLARO QUE SIM! Aceitamos sem pestanejar!!

Então, fizemos a estrada até à Madalena para almoçarmos, entregarmos o carro e irmos ter com eles para irmos ao snorkel. Quando nos pusemos a caminho, o Norberto ia explicando como tudo se ia passar: ele dizia para nos prepararmos e mal ele dissesse para entrarmos, nós saltávamos para a água e olhávamos para baixo. Disse que ia procurar grandes grupos de pássaros que era sinal que havia peixe pequeno na água e que por isso haveria também tubarões baleia. Mal ele disse para nos prepararmos, 5 segundos depois já estava a dizer “SALTEM, SALTEN! AGORA, JÁ JÁ! SIGA, VÃO VÃO!” Eu ainda nem tinha posto as barbatanas, nem tinha desembaciado a máscara e já me estava a atirar para dentro de água! De tal forma, que com o baloiçar das ondas dei uma grande chapa na água, que nem uma pata! Filmado tinha aparecido no ridiculousness! Fui cair mesmo em cima de uma bola de peixe pau, uma espécie de sardinha com cerca de 2/3cm, mas com biquinho de pato. Prontíssimos para a selfie!

Eram tantos e estavam a menos de um palmo do meu nariz, ao ponto de não ver nada a não ser o cardume. Nadei para sair de cima deles mas o tubarão baleia já não estava lá. Volta a subir para o barco! 3 minutos depois já se ouvia “SALTEM, AGORA, VÃO VÃO VÃO!” Xiça… Já?! Siga! Salto para a água, agora a tentar ser mais graciosa (sem sucesso – mais uma chapa!), e vejo um cardume de atuns mesmo debaixo de mim, a caçar como torpedos. Pareciam balas a caçar o peixe pau! Ainda se viam pedaços soltos dos peixes minúsculos aqui e acolá, restos que os atuns iam deixando para trás. Um dos atuns era Enorme, com uma barriga gigante. Depois viemos a saber que era um yellowfin, daqueles bons para sushi ou para grelhar, aques que se vendem a preço de ouro no Japão. “Voltem para o barco!”, chamava o Norberto. Toca a subir, voltar a preparar para daí a pouco tempo saltar de novo. “Desta vez vou fazer grande salto para dentro de água!”, planeava eu enquanto procurava pelos pássaros no horizonte. “PREPAREM!” grita o Norberto, entre o barulho do motor. “SALTEM, SALTEM! AGORA, JÁ, JÁ!” disse nem 10 segundos depois! Salto para dentro de água, o mais graciosamente que pude, e mal ponho os olhos dentro de água, vejo o tubarão baleia a 2 palmos do meu nariz!! Nem sei como não aterrei em cima dele quando saltei para a água! Toca a dar à barbatana para o acompanhar o máximo de tempo possível. Nadamos com ele cerca de um minuto, com ele debaixo de nós, com cerca de 8 metros, cada vez a afastar-se mais para o deep blue, com as remuras coladas a ele, ele às pintas, a olhar para nós. LINDOOO! Quando tiramos a cabeça fora de água, estávamos todos extasiados com a magia daquele momento. Uns lançavam os braços no ar a festejar, outros celebravam a altos berros, o Norberto aos saltos dentro do barco, eu a olhar para o Diogo com um sorriso de orelha a orelha e o Diogo a dizer “Incrível, inesquecível! Uau… Uau!” E foi! Foi um uau, foi um magnífico, foi um mágico, foi um tudo num minuto só! Foi mais um momento em que só podemos agradecer ao universo por ter cruzado o nosso caminho com o deste animal selvagem.

Consideramo-nos tão sortudos por termos momentos destes, que o vamos relembrar e relatar por muitos e muitos anos! Fizemos o caminho de volta depois de uma breve paragem para uma cerveja e uns tremoços na vila onde o Norberto nasceu e depois do Diogo se ter atirado para água porque vimos uns golfinhos e que ainda conseguiu nadar com uns 5 ou 6 durante uns breves segundos, tornando este dia ainda mais intenso e especial. Soltem as amarras, que hoje é a nossa última noite no veleiro. Amanhã rumamos às Flores e Corvo!

Soltem as amarras!

AÇORES, FLORES: DIÁRIO DE BORDO – DIA 20

Dizem que deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer… E a verdade é que temos acordado cedo todos os dias e é um facto que não nos tem faltado saúde e temos crescido muito (para os lados!). No barco a tendência é acordar antes do nascer do sol, que aqui o sol nasce às 8h. Talvez pelo barulho da água a bater no casco, ou da borracha das bóias e do deck, ou das cordas, às vezes aflitos para ir esvaziar a bexiga que nos acabava por acordar, mas abríamos a pestana sempre ainda de noite. E hoje não foi excepção… Acordamos cedo para terminar de pôr tudo na mala e sair para o aeroporto. Foi já com saudades que nos despedimos do Azorean Dream e quando chegamos fora da marina, já o sol amanhecia e o Pico espreguiçava-se com todo o seu esplendor, com as nuvens afastadas do topo.

Fomos de táxi até ao aeroporto e 2h depois vimos o Faial a desaparecer no horizonte. Só mar pela frente. As Flores surgiram como uma montanha erguida do Atlântico, bem maior do que nós esperávamos. À nossa espera estava a Sabine da Casas da Cascata com um carro à nossa disposição. Fomos recebidos com o sorriso espontâneo da Sabine, super simpática, que nos ia contando algumas coisas sobre a ilha e sobre a experiência dela cá, desde que veio da Alemanha para cá, há 15 anos. Nada nos podia ter preparado para a vista do cimo da montanha para a Fajã Grande, onde íamos ficar. É absolutamente avassalador!

Cascatas por todo o lado, o verde intenso e cerrado que cobre as escarpas vertiginosas e altas, como gigantes sobre o mar. Qual Adamastor, parece querer engolir a Fajã, pequenina e encolhida lá em baixo, banhada pelos riachos que vêm das várias cascatas. Vacas, coelhos e melros povoam está paisagem e o mar sem fim, de perder de vista. Quando a Sabine parou em frente à nossa casa, não tínhamos palavras para descrever o sítio. Lindo é pouco. A casa, mesmo encostada à escarpa, toda em pedra, funde-se com a paisagem, as plantas parecem querer ocupar todos os cm à volta dela mas depois, por trás da casa, vemos a força da água que cai livre lá de cima da escarpa até cá baixo, numa cascata. O sítio é fantástico, a vista é maravilhosa e temos esta casa só para nós. É a casa mais fotografada da ilha e de vez em quando entram pessoas na propriedade para a fotografar. Gostamos tanto disto, que já não saímos mais o dia todo. O Diogo foi surfar, eu estive a trabalhar e a fotografar e filmar os coelhos nossos vizinhos.

Soltem as amarras!

AÇORES, FLORES: DIARIO DE BORDO – DIA 21

O dia começou tranquilo. Continuamos a usar o termo mágico para definir tudo o que nos envolve aqui nos Açores e a casa onde estamos, digno do jardim do éden. Depois de uma massa sovada torrada com manteiga, desci a colina para entrar no mar, hoje bem mais agressivo.A entrada foi fácil,a saída complicada.As ondas explodiam contra as pedras da praia e foi com alguma sorte que não houve mossa na prancha ou em mim. Faz parte! A Filipa trabalhava enquanto me observava da varanda e quando cheguei decidimos ir conhecer o restaurante Maresia, aqui bem perto. Foi uma experiência digna do Mário Cezarini, com um espaço surrealista e nada ortodoxo associado a vinis e comida de altíssima qualidade (e volume).

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Passamos a tarde a beber bom vinho e aguardente de figo em boa companhia. Com a boa alegria instalada, decidimos tentar a sorte e ir visitar as lagoas do centro da ilha.Não é tarefa fácil ver as lagoas porque o denso nevoeiro é frequentemente cerrado a esta altitude. Sem sucesso e bem dispostos, seguimos para uma visita de outra face das Flores, Ponta Delgada e o norte da ilha. A paisagem muda significativamente com encostas e vilas dramaticamente expostas ao Atlântico Norte, com o Corvo como fundo. O Farol do…. aumenta o dramatismo da paisagem. No caminho visitamos Santa Cruz, a cidade atravessada pela pista do aeroporto com a Igreja matrix como landmark principal. Ao longo das estradas serpenteadas, penduradas nas escarpas vertiginosas, paramos em praticamente todos os miradouros com paisagens de cortar a respiração.

Na montanha, a estrada era ladeada por musgo denso e fofo, como nunca tínhamos visto e paramos só para lhe tocar. Acho que se um carro se despistar fica amortecido e não se estraga por esta densa e macia camada de musgo! Por todo o caminho, continuamos a ver centenas de coelhos, que é já uma imagem de marca desta ilha para nós. O por do sol foi no farol e regressamos já de noite, com imenso cuidado para não atropelarmos nenhum dos simpáticos coelhos. Chegamos ao nosso cantinho no lindo Moinho da Cascata para recuperar energias para o dia seguinte. Fomos convidados pela Experience Oc para um tour gastronómico. A coisa promete!

Soltem as amarras!

AÇORES, FLORES: DIÁRIO DE BORDO – DIA 22

A Experience OC tinha um dia em cheio preparado para nós hoje. Chamam-lhe o tour gastronómico mas não é só de comida que este dia é feito. Saímos de casa às 10h e começamos por uma prova de queijo típico da ilha, um queijo extremamente cremoso que se desfaz na boca. Uma espécie de queijo da serra menos intenso, mas cheio de sabor. Trouxemos logo um para levarmos para casa. A seguir o Francisco, o nosso guia, levou-nos ao Poço da Ribeira do Ferreiro. O trilho começa fácil, mas rapidamente o chão deixa de ser relva e passa a ser pedra.

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O problema da pedra é que é arredondada e quando chove fica escorregadia. Quem me conhece sabe que o meu equilíbrio é nulo, que não sei cair e sou uma pata no que toca a exercício físico, o que faz com que a minha resistência física seja deficiência e precária. Uma subida de 15 degraus e eu já estou a abafar. Claro está que eu sou a peça que atrasa o grupo, que todos querem filmar porque a qualquer momento pode cair, mas também estou sempre a rir e a fazer palhaçadas. O caminho até lá cima é muito bonito, verde, húmido e denso. Os riachos, pássaros e o som do vento a passar nas folhas das árvores compõem a banda sonora desta caminhada. Mas quando chegamos lá cima, cerca de 15 a 20 minutos depois, e passamos do bosque cerrado para a abertura da clareira do Poço da Ribeira do Ferreiro, é como passar um portal para outro mundo.

Um mundo de fábulas, em que as cascatas são as protagonistas deste conto. Uma dança entre a água que bate nas rochas e que cai lá do alto, as árvores que nos seduzem a baloiçar ao vento, o misticismo do nevoeiro que vai e vem, uma garça que paira a poucos cm da água enfeitiçada pelo reflexo límpido e perfeito de tudo isto na água estática e serena. Acho que ficamos calados a apreciar a vista durante uns bons 10 minutos. Entre fotografias, a tentar apanhar o melhor ângulo e a melhor luz, e o espanto e cepticismo disto ser verdadeiramente real, o Francisco ia falando da vegetação, pássaros, peixes que ali habitam, orgulhoso da ilha onde vive e da profissão que tem. Ficamos parados no tempo, encantados com este lugar. A todas as ilhas que fomos e que dissemos que vínhamos às Flores, todos nos diziam que é a ilha mais bonita, que íamos adorar, etc. Puseram a fasquia tão alta que demos por nós, no caminho para cá, a comentar “vamos ver se realmente é assim tão linda!”… e a verdade, honestamente falando, é que a fasquia estava alta mas a ilha é tão linda, tão especial, tão mágica, que ultrapassou de longe as nossas expectativas, passando isolada para primeiro lugar, seguida pela Graciosa e Santa Maria.

Vir aos Açores e não visitar as Flores (voos diretos da Horta, Faial) é um crime capital. A seguir fomos almoçar ao restaurante Pôr do Sol na Fajãzinha, onde comemos uma espécie de pataniscas de algas que estavam de babar, linguiça deliciosa, inhame e batata doce maravilhosas e uma feijoada com arroz que estava incrível. Gostamos tanto que marcamos mesa para jantar para provarmos o borrego com castanhas e o leitão. A seguir, a vontade era tirar um tempinho para uma soneca mas o Francisco ainda tinha muitos planos para nós. Levou-nos a um moinho de água onde a D. Fátima, estava a fazer farinha de milho. “Estão com forças ainda?” perguntou o Francisco, em tom de gozo. “Siga!”, respondemos. Então, fomos até à casa da Vigia das baleias, num trilho sinuoso até um posto de vigia muito pequeno no topo da montanha onde se via uma imensidão de mar. Com o Diogo sempre a filmar-me, na tentativa de apanhar uma queda, e eu com o meu cajado, ao estilo Gandalf the Grey, lá descemos para irmos fazer um picnic ao Poço do Bacalhau, a “nossa” cascata. Mal lá chegámos, ainda nós estávamos a fazer umas filmagens, já o Francisco tinha o picnic montado. Este picnic foi o mais bonito que já fizemos! O dia terminou com o último pôr do sol da Europa.

Soltem as amarras!

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AÇORES, FLORES: DIÁRIO DE BORDO – DIA 23

A Experience_oc tinha mais um dia em cheio preparado para nós. Acordamos bem cedo para ir ao lado leste da ilha, à baía da Alagoa, ver o nascer do sol. Estes tipos são mesmo bons, controlam o São Pedro e tudo! Pelo menos o São Pedro aqui dos Açores… Tivemos direito a uma bola de fogo gigante no horizonte limpo de nuvens, num espaço mágico.Esta ilha é especial mas para conhecermos os spots secretos e ficarmos mesmo de queixo caído, é mesmo essencial um local que conheça bem estes lugares.Depois deste momento de total sintonia com a ilha, partimos em direcção a Santa Cruz para um reforço do pequeno almoço num agradável café local. O Armando e o Álvaro da Experience_oc já nos esperavam no exterior quando terminamos para partirmos em direcção a Ponta Delgada no norte da ilha.Objetivo: fazer canyoning.Há muito que queria experimentar e finalmente o fiz.

É uma atividade que exige alguma preparação física nas que não é difícil e permite conhecer literalmente as entranhas da ilha, percorrendo ribeiras e desfiladeiros. Eu adorei e fiquei fã da atividade, recomendo vivamente que o façam quando visitarem as Flores!A paisagem, mais uma vez, é de cortar a respiração.Ao longo de duas horas percorremos e descemos o leito do rio que terminava numa cascata no mar.Sem me avisar,no final, pegamos num lanche e percorremos um pequeno trilho no bosque e de repente chegamos ao cimo de uma falésia altíssima onde recuperamos forças e desfrutamos daquela paisagem, mesmo. Na borda do precipício. Foi a cereja no topo do bolo!

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Entretanto, surgiu a oportunidade de voarmos para o Corvo e ficarmos 2 dias na ilha.Em viagem não se deve hesitar nunca e foi o que fizemos: fomos!Quase sem tempo para me secar, fomos para o aeroporto onde a Filipa já me esperava com uma mochila para fazer um dos voos mais curtos do planeta.Cronometramos e o nosso durou 8min10seg! Ao levantar, os ventos laterais fizeram agitar bem a pequena aeronave com cerca de 16 passageiros. Estivemos quase a perder a oportunidade de visitar o Corvo,as condições marítimas não o permitiam mas é com muito orgulho que chegamos e dormimos neste destino intrépido! A ilha tem cerca de 400 habitantes e assemelha-se a uma qualquer outra aldeia em Portugal. Todos se conhecem, há uma pequeníssima bomba de gasolina,os correios,os bombeiros,2 ou 3 locais onde se pode comer e onde se pode dormir. O Corvo nesta altura do ano é o paraíso dos ornitológos e amantes de aves. Mesmo assim parece que não há ninguém, é tudo calmo e pacífico.A Vila é charmosa e está arranjada e tem a particularidade do aeródromo, atravessar a vila literalmente desde a igreja até ao mar. Demos uma caminhada pela vila e fomos “à Traineira” comer umas lapas e uma posta de mero, antes de irmos descansar ao hotel Comodoro, bem confortável por sinal!

Soltem as amarras!

AÇORES, CORVO: DIÁRIO DE BORDO – DIA 24

Depois de um vigoroso pequeno almoço (e depois de vermos que o Caldeirão estava descoberto) contactamos o Sr. Carlos Reis para nós levar ao topo do Caldeirão. O nosso plano era subir de carro e descer a pé, se não chovesse. Então, chegados ao topo, começamos a descer a caldeira. A vista é maravilhosa e é impossível descer sem parar um sem número de vezes para apenas apreciar a vista e encher os pulmões deste ar puro da montanha.

A descida é, quase sempre, mais difícil que a subida mas aqui foi excepção. No chão via-se relva, misturada com lama, bosta de vacas e pedras que espreitavam, algumas secas, parecendo querer respirar um pouco de ar no meio deste caos. Fomos descendo pelo trilho estipulado e bem marcado, desviando-nos da lama e da bosta tanto quanto podíamos, até chegar à base do Caldeirão. Aqui pastam vacas, touros e cavalos, soltos e felizes, a ver as aves a pairar sobre as suas cabeças. E nós os dois, sozinhos a observar tudo isto.

Depois de uns bons momentos de descanso, começamos a subida. A montanha é bastante inclinada e exige uma boa caixa e excelentes pernas. No final, sentimos que tínhamos passado 2h no ginásio. Parámos para uma última foto e iniciámos os 7km até à Vila do Corvo. A estrada é boa e ladeada por esporádicas casas de pedra e pastagens de perder de vista, com vacas a tratar de pôr todo o pavimento direitinho. Quase no final há um miradouro de onde se tem a perspectiva inteira da Vila, onde se vê a pista do avião que ocupa a largura total da ilha, que não deverá medir mais do que 900m, neste sítio. Continuamos a descida até à Vila, para irmos almoçar. Estávamos tão cansados desta caminhada que adormecemos e dormimos a tarde toda.

Soltem as amarras!

AÇORES, FLORES: DIÁRIO DE BORDO – DIA 25 E 26

O voo de regresso às Flores foi ainda mais curto do que o da vinda. Se para o Corvo durou 8 minutos e 10 segundos, o de vinda demorou 6 minutos e 40 segundos, talvez devido a ventos. Quando chegamos às Flores, fomos almoçar e voltamos para a Fajã Grande e pelo caminho paramos nas Lagoas Negra e Comprida para tentarmos a nossa sorte.

Conseguimos ver alguma coisa entre nuvens, mas nada antevia a nossa sorte do dia seguinte. Apesar de estar uma manhã muito chuvosa, a Experience OC decidiu arriscar e levou-nos a subir a montanha para irmos ver as Lagoas (Negra, Comprida, Seca, Branca, Lomba, Funda e Rasa). Começamos com a Seca e estava descoberta, com as nuvens bem acima de nós, na sua plenitude máxima. Extasiados com tamanha sorte, fomos espreitar a Negra e a Comprida e a sorte mantinha-se do nosso lado.

Tudo aberto, com o sol a começar a querer participar no jogo das escondidas. Começamos a ver algumas aberturas no céu cinzento. Super contentes, encaminhamo-nos para a Lagoa da Lomba e esta também estava visível. Isto é motivo de festejo!! Quando acordamos estava tão cinzento e chovia este mundo e o outro, que ninguém diria que íamos ter esta sorte. Ao chegar à Lagoa Branca, o tempo estava a começar a dar sinais de piorar e, depois de algumas fotos, fomos rápido até às últimas duas, que estão uma ao lado da outra. O que vimos foi absolutamente indescritível. Estas Lagoas estão num sítio mágico, são lindas e rodeadas de um verde que não é possível descrever. O bosque é denso e tão diverso a nível de vegetação que cria uma diversidade enorme de tons e texturas.

A Lagoa Funda das Lages está rodeada de pinheiros bem até à berma da água, com a Rasa a espreitar acima dela. Mas mal entramos no carro, dada por terminada a nossa visita, veio o nevoeiro e com ele chuva e trovoada! Imaginem a nossa sorte! Fomos até às Lages, para irmos almoçar com o Sr. João Lourenço, o senhor que tão amorosamente nos alojou no moinho da cascata e nos convidou para uns petiscos na sua moradia com a mulher. Quando chegámos fomos recebidos com lapas e um enxaréu de comer e chorar por mais. Numa conversa que podia durar a tarde toda, fomos petiscando e contando as nossas aventuras pelos Açores. Despedimo-nos, agradecendo toda a simpatia, com a chuva ainda a pingar e fomos ao Museu da Baleia.

À saída já o sol estava a afastar as nuvens e vimos uns cagarros a serem soltos para voarem pela primeira vez e fomos aprender um pouco mais sobre estes animais tão barulhentos entre as 22h e as 24h. Seguimos caminho para a Rocha dos Bordões e o sol acompanhou-nos todo o caminho. Paramos na Cascata da Ribeira do Fundão para umas fotos e logo a seguir estava o Miradouro da Rocha dos Bordões. Que vista! Não parecia real! As escarpas que contrastam com o verde compõe o soneto que deveria existir sobre esta ilha. Terminamos o dia (e esta viagem) com um jantar no Maresia, a comer 2 queijos deliciosos e um bacalhau que bem podia sair vencedor na última etapa do masterchef!

Soltem as amarras!

DIA DO ADEUS E DOS AGRADECIMENTOS: DIÁRIO DE BORDO – DIA 27

Neste último dia queremos agradecer a todos que nos apoiaram nesta nossa aventura nos Açores! Queremos agradecer ao Ricardo da Azorean Dream por nos conduzir pelas ilhas dos Açores no meio do Atlântico, por nos ensinar a velejar, pelos presentes que nos ofereceu e por toda a simpatia. À Best Spot Azores e ao Bruno por tão gentilmente nos ter emprestado todo o equipamento de mergulho e por nos ter acolhido com amizade na viagem restringida a amigos ao Banco D. João de Castro. À Ilha Verde por nos ter feito um preço super especial em todos os carros que alugamos em todas as ilhas dos Açores. Ao Sr. João Lourenço por nos receber tão bem, no seu moinho da cascata e na sua casa para um almoço tão bom e por colocar o seu jipe ao nosso dispor. À Experience OC por partilhar connosco os sítios mais especiais da ilha das Flores (a ilha que detém a fama de ser a mais bonita dos Açores e nós comprávamos a sua veracidade), por ter encomendado o bom tempo sempre que nós precisamos e por nos mostrar o quão mágica as Flores são. Estamos de coração cheio! O nosso muito obrigado, vamos voltar em breve, certamente! Até já Açores!

AÇORES HIGHLIGHTS:

Açores, São Miguel – Mosteiros (surf e comida), Lagoa das 7 Cidades, Lagoa do Fogo, Santa Bárbara, queijadas, Dona Beija, Parque Nacional Terra Nostra, Furnas

Açores, Santa Maria – Baía dos Anjos (surf), Vila do Porto (Central Pub), Cascata do Aveiro, Farol de Gonçalo Velho, São Lourenço, Miradouro do Pico Alto, Praia Formosa

Açores, Terceira – Biscoitos, Angra do Heroísmo (Tasca das Tias), Ilhéu das Cabras, Monte Brasil, Porto Judeu, Praia da Vitória, Reserva Florestal de Recreio da Mata da Serreta

Açores, Graciosa – São Mateus, Santa Cruz da Graciosa, Farol da Ponta da Barca, Ilhéu da Baleia, Piscinas Naturais dos Posseirões, Vulcão da Caldeira da Graciosa, Furna da Maria Encantada

Açores, São Jorge – Fajã de Santo Cristo, Fajã dos Cubres, Fajã de São João, Fajã dos Vimes (café Nunes para um bom café e as melhores queijadas dos Açores), Fajã das Almas Fajã do Ouvidor, Reserva Florestal do Recreio das 7 Fontes, Miradouro dos Rosais, Farol da Ponta dos Rosais, Igreja de Urzelina (destruída pelo vulcão), Velas (restaurante São Jorge pelo atum e o polvo)

Açores, Faial – Horta, Marina da Horta, Peter’s Café, o Genuíno (jantar), o Atlético (atum), Praia de Almoxarife, Praia do Norte, o restaurante o Esconderijo, Capelinhos

Açores, Pico – Pico, as vinhas de Criação Velha, Lages do Pico, restaurante Whale Come ao Pico, Ponta da Ilha (e restaurante com o mesmo nome), Santo Amaro, São Roque, restaurante Magma, Arcos, Estrada Longitudinal

Açores, Flores – Fajã Grande, Fajãzinha, Poço do Bacalhau, Poço da Ribeira do Ferreiro, 7 Lagoas (Negra, Comprida, Funda, Rasa, Lomba, Seca, Branca), Vigia da Baleia, Rocha dos Bordões, Cascata da Ribeira do Fundão, Fajã de Lopo Vaz, Lages das Flores, Santa Cruz, Ponta Delgada, Baía de Alagoa, Miradouro dos Cedros, Farol da Ponta do Albarnaz

Açores, Corvo – Caldeirão, Cara do Índio, Miradouro Sítio do Portão, Vila do Corvo

Melhores spots de mergulho nos Açores: Santa Maria: Baixa do Ambrósio (mergulho com mantas e grandes pelagicos, por exemplo tubarões baleia), Ilhéu das Formigas, Dolarbarat São Miguel: D. João de Castro Faial: Princesa Alice

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